quinta-feira, 31 de julho de 2008

As 10 coisas que mais odeio... em mim (today):


"Black Widow", David Beck



As 10 coisas que mais odeio... em mim:


-ter tanta coisa boa...
-e ver TÃO POUCO!

- querer fazer tudo de uma vez...
- mas fazer TÃO POUCO!

- sonhar demasiado...
- e ainda assim, TÃO POUCO!

- pensar em tanta merda...
- mas escrever...TÃO POUCO!

- ter uma só vida...
- e não viver o mais que posso!

O dilúvio anunciado

"Lady from the sea", Munch


Quero sentir-me inspirada! Uma música, um livro, um filme…tanto faz! Demando à vida algo que me estremeça e que, de dentro, arda o artifício em cores brilhantes e imperceptíveis. Quero sentir tudo o que mais forte me embriaga, sucá-lo até à última gota, o tutano das coisas reais! É que às vezes…

Às vezes chove cá dentro.

Uma tempestade que arrasta em dilúvio todo o sentido que absorvera das "coisas principais". E essas coisas podem ser temas simples: uma história verdadeira, um olhar sobre aquilo que resiste à depressão.

Por exemplo:
No outro dia, enquanto andava de carro, aborrecida por mais um dia de trabalho num meio de juízos e medidas descabidas, lamentava-me as pessoas darem tão pouco valor "ao nosso todo", rotulando, como nos frascos, segundo estereótipos epidérmicos e castrantes. As pessoas estereotipam de formas hediondas e cruéis, que mutilam e nos aparam, para cabermos perfeitos no molde do seu entendimento. Julgam que só assim conseguem tirar sentido mas, pelo contrário, poupam-se ao esforço de o interpretar. Mas o pior, reflectia eu, é que também os tenho, e tornei-me exactamente num tipo que me faz especial comichão: "escrava dos números e da vestimenta adequada". Assim, estupidamente, sentia-me reduzida por mim própria, entregando-me ao género que sempre desdenhei, mas que não consigo deixar de ver. Por algum acaso (depois de ter introduzido um outro assunto que não vinha aqui ao "post"), estava eu neste estado, parada no sinal vermelho, quando vi um miúdo aos pulos, mesmo sobre o repuxo que cresce do chão em frente ao Campo Pequeno, em Lisboa. E deu-se! Fogo-de-artifício!
Não conduzi alcoolizada, é claro, mas, desde então, não me esqueci da visão que tive. Foi no momento certo que o puto me estremeceu: estava ali, aos pulos no repuxo, à frente de todos mas completamente "a cagar" para qualquer juízo de valor. Enquanto criança podia desfrutar do combustível das verdadeiras sensações!

Bolas, porque é que reprimimos então "as coisas principais" e as deixamos varrer pela corrente? O dilúvio. - repito.

Se a estrada da vida corre num só sentido, eu quero ver a paisagem por onde passo, o que me mostra. Se, pelo caminho, tropeçar num bom livro, nas teclas de um piano cristal…ou até no puto que pula no repuxo, vou levantar-me, e abrir os olhos que espelham a alma.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Hoje quero ser nada!

"Ofelia", Georg Pauli


Uma flor não tem que ser mais do que uma flor. Basta-lhe ser aquilo que é, não tem de vestir-se de cacto ou bananeira.
Mas nós, espécie rara em vias de extinção, temos de ser sempre algo mais! Filha, amiga, namorada, estudante, trabalhadora, dona de casa, vizinha...isto, aquilo, aquele outro, ambos...tudo ao mesmo tempo!
Sem nunca parar! Sem tempo para sermos somente aquilo que somos!

...Humanos?!
(não fosse toda a carruagem que acarreta o próprio termo...)

Às vezes cansa ter tantos papéis! Perante a sua densidade, fazer opções, derivações, construir novas personagens, para seguir em frente!
Agora sou a M. isto, mais logo a M. aquilo...porque tive de optar, tenho sempre de optar para subir ao " grande palco da interpretação".
E o tempo não pára! Nem apenas por um segundo!

Mas hoje...
...Hoje quero ser NADA!
Sentir-me leve, flutuar...só por uns instantes apenas! Fechar os olhos, e apenas nada!

Não um sono mórbido qualquer, mas um renascimento do eu inicial. Será possível?! Inalterado, intocável...e perfeito! Sem opções, responsabilidades, fatiotas estúpidas ou expressões encaixadas! Um ser pelo ser! Não pelo fazer!



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Grindhouse, de volta!


laisse tomber les filles

Em homenagem aos filmes de horror dos anos 70, devo dizer que nenhum dos dois filmes que integram "Grindhouse" desiludiu.

Em "Death Proof", dirigido por Tarantino, e "Planet Terror", por Robert Rodriguez, somos levados por uma trama bizarra, violenta, perversa, onde a alusão ao sexo, também característica deste género de cinema, se encontra patente na libido exalada pelas personagens femininas, num jogo genial de planos e estratégias, que nos remetem para as salas da época.

Aqui, mais do que louvar estes grandes realizadores pelo trabalho genial que apresentaram, e que lhes deve ter dado um gozo incrível (de notar que Tarantino tem apoiado quase todo o seu imaginário cinemático na fonte deste género), venho partilhar uma das músicas da banda sonora que me ficou no ouvido (não descurando as restantes).


"Laisse tomber les filles" é uma canção francesa da autoria de Serge Gainsbourg, cantada em 1964 por France Gall. April March intrepreta-a mais tarde de forma deliciosa, tendo feito também a sua adaptação para a lingua inglesa "Chick Habbit".

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Recortes perfeitos...

From the film Edward Scissor Hands, 1990


Beetlejuice, Batman, Edward Scissorhands, Planet of the Apes, The Nightmare Before Christmas, Sleepy Hollow, Big Fish, Corpse Bride.
Ficam alguns títulos do grande cineasta, o meu preferido, Tim Burton!

Já com alguns dias de atraso, não poderia deixar de evidenciar a homenagem que lhe foi feita no 64º Festival de Veneza, no dia 5 deste mês. Sem nunca ter ganho um Óscar, recebeu aos 49 anos o Leão de Ouro consagrado deste Festival e prémio máximo de carreira, que Burton descreve como sendo muito mais bonito que o homem nu careca, ironiza (sempre muito à frente =)!

E já era bem merecida, esta homenagem!

Excêntrico, imaginativo, arrojado, original, mágico… Ou numa só palavra, simplesmente GENIAL! É assim que eu descrevo a pessoa que desde muito nova me inspirou, pintando com uma beleza indescritível a fantasia nos seus filmes.

Estou mesmo muito feliz pelo reconhecimento das suas obras, que mostram uma visão espantosa, com base num estilo tão sui generis que se torna impossível de se perder.

Das mãos de Johnny Depp, seu amigo e protagonista de eleição, Burton recebeu a estatueta italiana, com o brilho nos olhos de uma criança que nunca cresceu. E ainda bem!

Assim, feita "justiça cinematográfica", aguardo agora ansiosa o seu próximo trabalho, que deverá estrear este ano.

Johnny Depp voltará a ter protagonismo, como o barbeiro Benjamim Barker que, depois de ver a sua vida em desgraça, regressa à cidade sob o pseudónimo de Sweedney Todd, onde irá executar uma vingança macabra. Com uma navalha na mão, o actor “deixa as tesouras”, que marcaram um momento do cinema, e até uma criança sonhadora...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O beijo

"Sleeping Beauty", Seonaid Clarke


Não que tenha estado adormecida ou encarnado numa bela princesa... Passei o verão a trabalhar e não foi pouco! De tal forma absorvida pelo trabalho, vi-me qual gata borralheira, pondo de parte os projectos pessoais que me propus concretizar este ano. Como este blogue, a preservar uma vez que ainda mal começou!

Dois meses sem escrever…

Mas das anotações mentais que retirei durante este tempo poderiam escrever-se enciclopédias de "who cares about your thinkings": blogues e blogues de ideias parvas e de teorias repetitivas e chatas. Talvez do prisma sociológico a crueza dos pensamentos diários de um primata sobre-desenvolvido, para análise da sociedade, claro, suscite qualquer interesse...quiçá!

Gosto da bela! Só isso! Sou uma romântica incurável, como o terá sido Charles Perrault, e desde miúda que sonhava com a canção que Aurora canta no filme da Disney "sei que qualquer dia vou te encontrar, pois em sonhos lindos já te encontrei, o brilho do seu olhar doce adivinhei..." (versão brasileira incluída =)

Dorminhoca também sou, bastanteeee! Mas adormecida só a escrita neste blogue, que pretendo reavivar!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Viva o Bacalhau da Noruega!


"Ship", Salvador Dalí


Com a Noruega à frente, o Global Peace Índex nomeou Portugal como o nono país mais seguro do Mundo!

A partir de um estudo, realizado para um centro de investigação associado à revista britânica “The economist”, Steve Killelea criou uma tabela comparativa entre 121 países, reunindo factores como os níveis de violência, o crime organizado e as verbas que cada nação destina às forças militares.

Os países europeus estão em maioria no “top ten” da segurança. Logo a seguir à terra do bacalhau (E, não! Não estou a falar do nosso querido país, também conhecido pelo famoso “Bacalhau à Gomes de Sá"…) vêm a Nova Zelândia, a Dinamarca, a Irlanda, o Japão, a Finlândia, a Suécia, o Canadá, “nós” e a Áustria.

Quem não deve ter ficado muito contente com os resultados deste estudo foram os Estados Unidos da América, que ocupam a 96ª posição.

No fim da lista surge o Iraque, apontado como o mais perigoso de todos (Surpresaa!!).

Também não será muito boa ideia viajar para o Sudão, Israel, Rússia, Nigéria, Colômbia, Paquistão, Líbano e Costa do Marfim e Angola.

Que pena! Gostava tanto de poder visitar alguns deles! Principalmente Angola nhasÁfrica, que deve ser um local lindíssimo! Nalgum buraquinho de terra escura talvez pudesse encontrar um bocadinho de paz…

...Mas, tudo bem! Porque agora sei que vivo num dos países mais pacíficos do mundo!!!! (Também não lhe falta beleza, bacalhau…e muita sardinha!)

Curioso como os rendimentos dos cidadãos e o nível de educação também contribuíram para este posto! Logo agora que o INE também anunciou a subida da taxa de desemprego, no primeiro trimestre, para 8,1 por cento, o valor mais alto dos últimos 21 anos!


Parece-me que estamos bem! Desta forma, conseguimos controlar o índice de criminalidade e preservar a onda de pacifismo: "Roubar? Para quê, se estamos tão bem com o subsídio de desemprego? E os ordenados? Altíssimos!!! Talvez quando formos velhinhos e não tivermos reforma".

Será que os dois submarinos do Paulo Portas também foram contabilizados para a tabela? A NATO esclareceu na altura que a última coisa de que precisávamos no contexto de intervenção da organização era de submarinos, mas a Marinha não tinha com que brincar…E, assim, já podem visitar o bacalhau!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Hoje não fumo, amanhã talvez...



"Skull of skeleton with burning cigarette", Van Gogh

Sou uma fumadora volúvel. O estado de espírito ou a ocasião definem a quantidade de beatas largadas no cinzeiro. Um amontoado de “pregos” ou, na sua ausência, o brilho do vidro sobre o tampo da mesa, são duas possibilidades, cuja probabilidade é semelhante.

Como muitos, iniciei-me nesta prática quando era mais nova. O que começou por ser um acto social ganhou vício, “estupidamente”. Foi assim que o definiu o meu pai, quando achei que estava na altura de assumir o meu segredo. Um acto estúpido que também ele cometera com a minha idade, e porque lho contava se o problema era meu. Por esta não esperava! Onde estão os berros, o castigo? Foi o que mais pesou.

Quando somos miúdos parece uma brincadeira, “a chave do nosso clube secreto” moldada numa vontade excessiva de crescer. Mas ao abrir mão do nosso segredo, num apossado “eu fumo!”, a carga de tudo o que nos preveniram cai sobre nós. “Fumas? És estúpida!”...

…Mas, porquê? Se fumar me estimula, reduz a agressividade, o apetite e me relaxa quando estou nervosa?

Há quem diga que provoca problemas respiratórios, que pode causar cancro…e mais uma infinidade de riscos que não vale a pena enumerar, pois todos conhecem (??).

Bolas! Não bastava o mau hálito ou os dentes amarelos? São fortes dissuasores para qualquer jovem e castigo suficiente por partilhar o fumo com pulmões alheios em sítios públicos, certo? Errado.

Ok é verdade! Fumar queima mesmo os neurónios…o meu pai tem razão!

Mas também, se os parâmetros da Lei do Tabaco se mantiverem, aconselho todos os fumadores a mudarem para as drogas ilícitas, como forma de transição para o “não fumador”. É que as multas inicialmente previstas para quem for apanhado com um cigarro acesso num local proibido (entre 50 a mil euros) são o dobro das calculadas para o consumo de drogas (25 a 403 euros).

Ao que parece o CDS-PP já conseguiu alertar para o facto. Hoje, Dia Mundial Sem Tabaco, o PS recua e defende a redução do valor das multas da nova Lei. Enquanto aguardamos o resultado deste acordo, talvez devêssemos olhar para o preço de cada maço de tabaco.

Porquê esperar pelas multas se o dinheiro que gastamos a prejudicar-nos lembra-me outro motivo bastante viável para deixar...

Não é fácil! Andei a pesquisar e o síndrome da abstinência (sim, existe!) traduz-se por: intranquilidade ou excitação, aumento da tosse e da expectoração, impaciência, irritabilidade, depressão, ansiedade e agressividade, má disposição, dificuldade de concentração, aumento do apetite e diminuição da frequência cardíaca.

Ainda bem que já existe o “e-cigarette”, um cigarro electrónico que deita vapor e tudo! Creio que funciona do mesmo modo que as pastilhas ou os adesivos mas, além de mais moderno, permite-nos continuar com o cigarro na mão por muito mais tempo.

Hoje não fumo! Amanhã…logo se vê! Sou estúpida, eu sei, mas é mais forte, por enquanto.

terça-feira, 22 de maio de 2007

A minha desculpa...


Sem cadeado. A exposição global das ideias, dos sentimentos, das opiniões...ao alcance de todos e à espera de respostas!

Se não o esperasse porquê partilhá-lo?

Não tenciono mover mundos, mas se alguém mudar ligeiramente de expressão ao ler o que escrevo já provoquei um qualquer efeito. Um sorriso, uma lágrima, um sinal de concordância ou até de indiferença...já prestaram atenção.

Não é na verdade o que secretamente desejaram todos os que, nalgum momento das suas vidas, desabafaram com as páginas de um diário ou com qualquer pedaço de papel rasgado?

Um pouco de atenção. Apesar de, em parte, ser o próprio a atribui-la no seu ponto de reflexão. Por vezes basta.

A atenção que esperamos sobre as coisas que consideramos relevantes já é inicialmente conseguida ao escrevê-las numa página. Como se as perpetuássemos para que, nalgum momento, pudessem tornar a ser reflectidas. Ainda que por nós mesmos.

Podíamos deixá-las no nosso "intimo?" (e algumas não passam desse "lugar"), mas nem sempre o fazemos porque, mais do que um direito, sentimos necessidade de expressá-las.

Sendo o porquê discutível é algo que nos é inato, e vou usá-lo como desculpa para escrever o meu blogue. Sem cadeado! À disposição de quem tem espaço para mais algumas frases inúteis da blogosfera.