
From the film "Kite Runner", 2007
"Kite Runner", romance de Khaled Hosseini, que arrebatou com este livro grandes prémios internacionais da literatura, foi adaptado ao cinema por Marc Foster, e comove não só pelas lindíssimas imagens que mostra, mas por tudo aquilo que fica por mostrar.
Retratando o prestes, o durante e o após a invasão russa do Afeganistão, o filme narra a história de dois amigos, Amir e Hassan, cuja principal paixão são os papagaios de papel. Mas quer a sua infância, quer a sua amizade, que pareceriam resistir aos maiores torpedos de intolerância, daqueles que zombavam das suas diferenças sociais, acabam por ser assoladas, pelo seu confronto cruel com o lado mais duro e perverso do ser humano e das suas guerras políticas e religiosas.
Retorno às coisas verdadeiras...
Roubadas as virtudes, pergunto, será que sobra alguma coisa? A meu ver, o filme mostra que sim. Embora secretamente eu tema que, seguindo por este caminho, as reduzamos à poeira da nossa auto-destruição. Como uma velha lembrança daquilo a que tivemos acesso.
Será que das cinzas ainda se erguem valores?
Vou esperar como o papagaio, que rasga os céus à deriva, esboçando formas e sentidos que só compreenderemos quando finalmente nos soltarmos. E recordando uma bonita canção de um outro filme conhecido, termino lamechando, “Somewhere over the rainbow, bluebirds fly. Blue birds fly over the rainbow, why, oh why can’t i?”